Ensaio: Cicatrizes são para sempre? O que é para sempre?

Antes de começarmos, acredito que um alerta seja necessário: se você não tem estômago, não olhe para as minhas cicatrizes. Elas são mapas das batalhas que lutei, fragmentos que guardam tudo o que perdi, lembretes cruéis de tudo o que já fui e nunca mais serei, memórias indesejadas que se recusam a desaparecer. E, por favor, nunca, jamais, julgue as cicatrizes de alguém. Você não conhece os perrengues que as moldaram ao longo de suas vidas, e mesmo que conheça, não será capaz de compreender a dor existente em seus corações, pois cada pessoa é única, com os seus próprios valores e crenças, a dor nunca é a mesma para ninguém, principalmente o luto.

O início… como explicar o momento em que tudo começa? Tempos atrás, os primeiros filósofos procuraram compreender o princípio do eterno, do infinito e do para sempre. Eles chamaram isso de “Arché”: o elemento primordial, a pequena centelha de magia que testemunhou a criação e que também estará presente na destruição de tudo aquilo que conhecemos. Ar, água, terra e fogo são alguns dos elementos apontados por esses primeiros filósofos. Permita-me acrescentar mais um: o amor. Sim, o amor também. Talvez, acima de todos os outros. Deus, em seu silêncio vasto, compartilhou o seu amor com o vazio. E do vazio surgiram estrelas, oceanos, florestas, animais e nós (as pessoas). 

Em algum momento da minha infância, eu estava lendo pela primeira vez um dos meus livros favoritos: Alice no País das Maravilhas, quando me deparei com o seguinte diálogo, que me marca até hoje:

“Quanto tempo dura o eterno?”, perguntou Alice.

“Às vezes, apenas um segundo.”, respondeu o Coelho.

Desde o primeiro sopro de vida da primeira criatura, o amor de Cristo esteve presente na jornada de todos os seres vivos. Mas os tempos mudaram, e muitos de nós nos esquecemos disso. As pessoas preferem colocar a mão no fogo do que abrir seus corações para o amor verdadeiro e genuíno. Essas pessoas, que não compreendem a magia do amor, se aproveitam das pessoas que sabem amar para machucar seus corações. Tudo foi eterno por um instante. Tudo pareceu infinito e para sempre, até que o “para sempre” começou a se dissolver, porque o ódio foi instaurado na Terra, e desde então, tudo, inclusive o amor, deixou de ser para sempre.

Hoje, o amor é uma palavra que perdeu sua definição para dar lugar a sinônimos que nunca serão capazes de alcançar a vastidão e a complexidade de seu verdadeiro significado. As pessoas dizem “eu te amo” sem amar com sinceridade no coração, como se fosse um sentimento superficial e sem importância alguma. O amor se tornou algo tão efêmero quanto um simples suspiro. Agora, corações são enterrados em abismos sem esperanças de dias melhores, estilhaçados. Haverá dias em que você acreditará nessas pessoas, se enganará e acabará se ferindo a ponto de não conseguir encontrar no dicionário a palavra “esperança”. E, no mundo real, essa palavra parecerá ainda mais distante. Isso vai te acontecer mais de uma vez. Mas não se preocupe: a hora delas também vai chegar.

Quando pequenos, somos apresentados ao mundo. Ele nos parece grande, cheio de belezas naturais, de vida e ficamos admirados. Nos ensinam a diferença entre o certo e o errado. Nos ensinam o jeito “certo” de amar. Certo para quem? Todas as vezes que nos comparam com algo ou alguém, quando dizem que não chegaremos a lugares em que sonhávamos chegar desde crianças, nós nos encolhemos, e todos os nossos pesadelos de infância parecem triplicar de tamanho.

A sociedade vai dizer para você como deve pensar, falar, agir, dançar, como se vestir, com quem deve ou não brincar, com o que brincar e quem amar. Vão impor limites, padrões, vão criar expectativas para o seu amor antes mesmo de você nascer. E, muitas vezes, você vai achar que a forma como ama é errada. Você vai negar os seus sentimentos para si mesmo e para o mundo. Vai trancar essas emoções tão profundamente dentro do seu coração que, um dia, você vai esquecer que é capaz de amar. Vai tentar se encaixar, mas, quando perceber que não deu certo, tudo irá desmoronar.

Minha primeira lição sobre o amor eterno veio de minha avó. Ela era como um sol particular no meu mundo: calorosa e inefável. Certa vez, vesti todas as roupas de seu guarda-roupa e desfilei para ela. Naquela época, o bullying na escola ainda não tinha me afetado. Seus olhos, tão gentis, cheios de pureza, jamais refletiram julgamento algum. Ela sorriu e me aplaudiu, como se dissesse: “Você é perfeito exatamente como é, e vou te amar para todo o sempre, meu netinho estimado.” Naquele dia, o mundo parecia infinito e seguro. Ela fazia com que eu me sentisse especial e único. Pela primeira vez, senti que era a pessoa favorita de alguém. E ela era a minha. Juntos, tornamos aquele momento eterno, infinito e para sempre.

Quero que você faça algo por mim, caro leitor. Feche os olhos por um instante e pense na sua pessoa favorita no mundo. Relembre os momentos que viveu ao lado dela. 

Agora, imagine que você a perdeu. Imagine todas as memórias felizes de vocês desaparecendo num piscar de olhos e tudo o que lhe resta são nós na garganta indestrutíveis. 

Foi exatamente o que aconteceu comigo no dia 15/03/2021, às 18h30min daquela noite. Foi quando a minha eternidade desmoronou. 

Os cientistas dizem que o luto tem 5 estágios. Permita-me mostrá-los sob o peso das minhas cicatrizes:

Nº1 – Negação:

Você viu o fim se aproximar de perto, estava presente durante todo o processo. Desde a descoberta do Alzheimer até o momento em que a doença roubou a sanidade da pessoa que te ensinou a infinitude do amor. Você olhava nos olhos das pessoas que mais ama, procurando por ajuda, mas só encontrava desespero e caos. Você tentava confortá-los com abraços, esperando ser abraçado de volta, mas elas não tinham forças para isso. 

“Como você está conseguindo se manter de pé?” – Cansei de ouvir essa pergunta naquele dia.

Depois de um tempo, você perde as energias e foge para o seu quarto, o seu refúgio, e se tranca. Você tenta lembrar dos momentos felizes, mas tudo em que consegue pensar é no presente dilacerador. 

“O ontem é história, o amanhã é um mistério, mas o hoje é uma dádiva, é por isso que se chama presente.”, disse o sábio mestre Oogway, em Kung Fu Panda (mais uma das minhas histórias favoritas da infância).

Mas, se o presente é uma dádiva, por que o peso da dor de estar vivendo no presente está me consumindo de dentro para fora? Por que o vazio parece me engolir completamente? De repente, você sente como se estivesse sendo esfaqueado na cabeça, e então tudo escurece. Você não está mais no seu quarto. Você pensa: “Estou morto?” Não, você não está. Só estava desmaiado, mas sentia como se estivesse morto.

As crianças têm medo do escuro, por isso os pais deixam um abajur aceso no quarto delas, para que possam dormir tranquilas. Durante muito tempo, tive pavor do escuro. Levei um bom tempo para superar essa fobia, mas superei, até aquele dia.

Todo aquele medo voltou tão rápido, você não conseguia respirar. “Toc, toc, toc”… Cada uma daquelas batidas na porta fez o seu ouvido explodir. Você desperta assustado. O pesadelo acabou, você não está mais preso aos monstros que moram no escuro debaixo de sua cama. Mas, quando se depara com a realidade, percebe que apenas saiu de um pesadelo para entrar em outro. 

“Ariéll?” – Eu conheço essa voz, você pensa. – “Mano, abre a porta! Eu quero conversar com você…” – Você sai correndo disparado, sem conseguir enxergar o que estava à sua frente, tropeçando e caindo de cara no chão. Suas pernas estão fracas e você mal se aguenta em pé, mas levanta e vai até a porta. Você a abre, o seu pai te abraça, ele olha no fundo dos seus olhos e fala: “Filho, a vovó morreu!”

Você não quer acreditar. Não pode ser real. Por que coisas assim têm que acontecer só com as pessoas boas? Ela era a pessoa mais bondosa que existia no mundo, dona de um sorriso encantador. Os olhos dela, ao longo dos anos, devem ter inspirado músicos, poetas e pintores a criarem arte.

Foi ela que me ensinou que o amor é eterno, infinito e para sempre. Por isso, era tão difícil de acreditar… Como o amor pode ser eterno, se o meu amor morreu naquele dia?! Como eu poderia manter a minha mente no lugar quando uma das únicas pessoas que me mantinha vivo morre? Como continuar respirando? Como o meu coração consegue continuar batendo, se a razão pela qual ele pulsa já não existe mais?! 

Tentei negar a partida dela, mas o vazio chega, impiedoso, sussurrando em meu ouvido que eu nunca mais seria inteiro. Que eu viveria para sempre em uma montanha-russa de sentimentos de impotência causados pela perda e pelo luto. A sensação é a pior de todas. Eu queria gritar, mas não tinha voz. Eu queria chorar, mas sabia que, se começasse, não iria conseguir parar. Então, guardo comigo esse sentimento até ele acumular e, por fim, eu explodi como uma bomba nuclear, destruindo tudo que encontrava pela frente.

N°2 – Raiva:

Durante as primeiras semanas, você tenta ser forte. Você nega seus sentimentos, reprime-os enquanto pode, mas isso te corroi de dentro para fora. Enlouquece você, fazendo com que exploda. Sua mente se torna um campo de batalha, e, então, você percebe: não é mais o mesmo e, provavelmente, não voltará a ser tão cedo. E, se voltar, será alguém irreconhecível, porque agora as suas cicatrizes estão expostas. 

A raiva surge como um fogo cataclísmico, consumindo tudo ao seu redor, uma manifestação de se perder do seu próprio espírito. Qualquer coisa te irritava: pessoas, perguntas, brincadeiras, até mesmo os seus passatempos prediletos.

Você não aguentava mais ouvir a voz das pessoas que ama, porque tudo o que a sua mente deixava você ouvir eram os gritos deles nos momentos de perda dos seus entes queridos.

Nada faz sentido sem ela aqui. Você se perde de si mesmo, da sua essência e de tudo o que te define como humano. Um dia, você se olha no espelho e não consegue se reconhecer. Você não pode mais gritar com as pessoas que ama, não quer vê-las sofrer por sua causa, mas, a cada dia que passa, sua raiva cresce, mais e mais… Você sente vontade de socar a parede, quer quebrar tudo o que encontrar pelo caminho, mas sabe que isso não a deixaria feliz. E é quando, finalmente, você se permite pedir ajuda.

N°3 – Barganha:

Você para e pensa, perguntando a si mesmo: “E se eu tivesse feito algo diferente? Como posso mudar o que aconteceu? Eu faria qualquer coisa para tê-la de volta! Por que mereço estar aqui e ela não?” Perguntas, atrás de perguntas, começam a se amontoar na sua mente. E você ainda não sabia, mas nenhuma dessas perguntas tinha uma resposta. Quando a realidade se revela, você percebe que está preso, numa prisão invisível, e a sua ansiedade te domina, te faz de refém. O seu coração só vai faltar sair pela boca. Os “e se?” vão te aprisionar na cela mais escura do seu subconsciente, uma cela sem chave, sem esperança.

De minuto em minuto, você entra em pânico. Sua cabeça lateja de dor. Você implora a Deus para tê-la de volta, para ele te levar no lugar dela. Mas nada mudava. Você fazia tudo o que estava ao seu alcance: rezar, chorar, gritar, mas nada poderia trazê-la de volta. O seu mundo vira de ponta cabeça.

O sol se recusava a voltar a nascer na linha do horizonte, trazendo uma noite gelada sem fim, que chegou para fazer morada no meu coração quando em seus braços não pude mais me esquentar no inverno. Não havia luz no céu, como se até o universo tivesse se unido à minha dor, numa conspiração silenciosa para me fazer acreditar que o sol nunca mais se ergueria.

Todos os dias passaram a estar cobertos de nuvens tempestuosas que trouxeram mais sofrimento a cada lágrima que eu derramava. A noite podia ser eterna, mas você não conseguia mais enxergar as estrelas ou a lua à noite. Você vai perceber que elas te amaldiçoaram. Isso vai partir o seu coração, e se, no dia seguinte, você conseguir levantar da cama, boa sorte! Você vai precisar de toda a força que ainda lhe resta em cada célula de seu corpo!

N°4 – Depressão (também conhecido como o pior dos estágios):

Aqui, a dor se torna eterna, infinita e para sempre. Cada respiração é um lembrete da ausência dela. Todos os dias são iguais, cheios de angústia e desmotivação. Você é apenas um corpo vazio, sem espírito, caminhando por estradas desertas que nunca acabam. Você tenta encontrar o sentido e a razão das coisas, mas não encontra. Você não consegue mais dormir, tem medo de encontrar os demônios que te assombram a partir do momento em que fechar os olhos, porque você não tem mais forças para enfrentá-los.

Se não conseguir comer, não force, a menos que queira vomitar. Tudo, absolutamente tudo, vai te deixar vulnerável, sobrecarregado e sem controle de suas ações. Se alguém aumentar o tom da voz em uma uma simples conversa, mesmo que seja sem intenção, você vai chorar sem saber o motivo… Todos os dias, ao acordar, você verifica se as suas unhas estão pequenas, porque, se o seu dia for ruim, você vai desejar que elas estejam cortadas. Porque cortá-las, mesmo que por um momento, é o único controle que você acha que ainda pode ter.

A sua mente se transforma na sua pior inimiga, um campo de batalha onde você é o único soldado sobrevivente e, no fim, o único derrotado. Tudo em que consegue pensar é no dia em que ela se foi. O último dia dela. Os últimos segundos de vida dela, que também foram os seus.

Você podia sentir cada um dos seus últimos suspiros, cada respiração era pesada e dolorosa, e você não aguentava mais vê-la sofrer. As lembranças de vocês juntos se tornam um looping de horrores, porque você sabe que nunca mais irá vivenciar aqueles momentos outra vez com ela. Você sente que está sufocando. Você está preso, acorrentado dos pés à cabeça, sendo torturado pela sua própria mente. E não há nada que se possa fazer para mudar isso. Não há escapatória.

Você está paralisado e impotente. Você está morto por dentro. Esses pensamentos se agarram nas suas entranhas e arrancam os seus pulmões. Você se sente vazio e abandonado. Você se rende aos seus pensamentos mais sombrios e desiste de viver. Sabe que acabou. As suas lágrimas tornam-se ácidas. Você perde a sua identidade. Tudo o que você era e conhecia deixa de existir. “Quem eu sou?” – Você se pergunta, mas não sabe responder. Alguma vez você soube?

Eu odeio quando me perguntam: “Está tudo bem?” Eu sei que não é por maldade, mas a resposta não é óbvia? Um simples sorriso sincero ou um abraço inesperado cairiam muito melhor do que preocupações falsas. Eu não quero a sua pena, ela me deixa desconfortável. Me desculpem se fui rude, mas tive que erguer meus escudos para sobreviver.

N°5 – Aceitação?

O caminho até a aceitação é um processo traiçoeiro, cheio de armadilhas. E, talvez, eu nunca consiga chegar até lá… É por isso que o quinto estágio do luto tem um ponto de interrogação, pois a aceitação não é algo garantido, algo que se alcança de forma simples e definitiva. As pessoas dizem que, com o passar do tempo, tudo melhora. Tudo fica bem. Que elas sempre estarão lá quando você precisar de ajuda. Mentiras. Você sabe que nada está bem porque o seu porto seguro já não está mais aqui para te socorrer. O tempo é quem deveria curar as feridas do corpo e da alma, mas, ao invés disso, a dor só parece aumentar, enquanto você tenta se adaptar a um mundo onde tudo mudou de forma irreversível.

Todos falam para você pensar nos momentos mais felizes que te marcaram com aquela pessoa, mas como? Como posso manter todos os ensinamentos de alguém vivos? As minhas memórias dela foram enterradas junto com ela e com o meu coração naquele dia, o pior dia, o pior dia da minha vida!

Em um dia qualquer, eu estava assistindo a um DVD antigo do meu aniversário de um ano, e você apareceu na parte das homenagens. Você dizia: “Feliz aniversário, Ariéll! Bastante anos de vida, repletos de paz e amor, é o que a tua vozinha deseja. E a tua querida mãe, que tanto lutou. Eu quero que tu cresças e dê bastante prazer, amor e carinho para esses pais que tanto te estimam.” Eu percebi que você ainda está aqui comigo. Você faz parte de mim. Quando me olho no espelho, vejo a mulher guerreira, perseverante e resiliente que você era, e isso me enche de esperança. Eu sou sangue do seu sangue, e um dia espero ser ao menos metade do que você foi.

Os dias tinham se tornado nublados e sem cor, minha vida antiga não passava de uma mera lembrança, um pensamento efêmero e doloroso. Parte de mim ainda sofre e morre de novo e de novo, cada vez que mencionam o seu nome em uma conversa, mas existe outra parte de mim que entende que a sua partida foi necessária. Entendi que me esconder sob uma máscara de mentiras, como: “Sim, eu estou bem!”,  na verdade era o que me fazia não estar bem.

Encontrar um motivo para sorrir era impossível, pois sonhar, sem ter você aqui do meu lado para compartilhar cada um deles, é difícil, extremamente difícil, principalmente porque os meus sonhos deixaram de ser sonhos para se tornarem pesadelos terríveis. E, de novo, aí está a minha mente brincando de ser a vilã principal da minha vida…

Me agarrei a esses sentimentos e vi que ainda tinha muita guerra pela frente para ser lutada. Tive que aprender na marra a nadar pelo oceano de lágrimas que havia se formado no interior do meu coração se eu não quisesse me afogar nele e virei o herói que eu mais precisava. Me libertei das correntes que a sociedade havia usado para me aprisionar e me permiti ser eu mesmo.

Percebi que ela ainda me ama, mesmo não estando mais aqui fisicamente. Percebi que ela ainda sorri para mim lá de cima todas as vezes que alcanço um sonho meu. Que ainda há algo dela que vive em mim. Percebi que, sendo quem eu nasci para ser, sem medo e com um sorriso estampado no rosto, é o que ela iria querer para mim.

Ela sempre foi a minha maior inspiração para escrever, mas, quando a perdi, eu parei de escrever. A escrita não fazia mais sentido sem ela aqui… nada fazia!

“O tempo de um reinado se levanta e se põe como o Sol. Um dia, Simba, o Sol vai se pôr como o meu tempo aqui e vai se levantar com o seu, como novo rei. Tudo o que você vê faz parte de um delicado equilíbrio. Como rei, você tem que entender esse equilíbrio e respeitar todos os animais, desde a formiguinha até o maior dos antílopes”, disse o Rei Mufasa.

“Mas nós não comemos os antílopes?”, perguntou Simba, com aquela inocência que só as crianças têm.

“Sim, Simba, mas deixe-me explicar. Quando você morre, seu corpo se torna grama, e o antílope come ela. E assim, estamos todos ligados no grande Ciclo da Vida”, respondeu Mufasa.

“Olá, Ariéll Cristóvão de Souza! Você foi reprovado no estágio 5, por gentileza, poderia voltar para estágio 1?” – Não sei por que me perguntaram, se nem ao menos consideraram me dar um tempo para pensar em responder. Eu quase pude ouvir a voz de Mufasa ecoando na minha cabeça, como se o destino estivesse tentando me dar uma lição, perguntando: “E você, Ariéll, ainda lembra do seu filme favorito da infância?” Mas o destino, ao contrário de Mufasa, não era gentil. Ele parecia cruel, quase debochado. “Bem-vindo de volta, Ariéll, ao estágio 1… negação!” – Quem iria imaginar que eu voltaria para o mesmo buraco frio, escuro e solitário em que eu estava há dois anos atrás… Olhando para as paredes, consigo ver as marcas que deixei nelas ao longo do tempo em que passei trancado lá – socorro – é o que está escrito desde o menor canto até o maior.

Os pesadelos nunca pararam de chegar. Mas, no dia 05/02/2023, uma semana antes do meu aniversário de 17 anos, a morte veio pela segunda vez e levou o meu pai, o meu “Veguinho”. Foi quando os pesadelos pioraram.

Era um dia normal como qualquer outro, eles sempre são assim, não é mesmo!? Eu lembro daquele dia com clareza. Eu acordei cedo, às 4 horas da madrugada, para preparar tudo para quando minha mãe e meu pai chegassem em casa. Minha mãe foi operada naquela semana, e os dois ficaram no hospital por duas noites. Ela finalmente tinha ganho alta, e eu queria deixar tudo pronto, tudo ajeitado.

O tempo passou rápido; levamos aquele dia com risadas e brincadeiras. Quando o sol se pôs e as estrelas não apareceram, senti um vazio familiar, estranho e desconfortável. Naquele momento, eu ainda não sabia, mas a resposta que eu tanto temia estava prestes a me encontrar. Em um momento, estávamos os quatro sentados na cama, conversando e rindo: você, sua irmã, sua mãe e seu pai. Na hora seguinte, você estava no seu quarto, se secando, tinha acabado de sair do banho, quando ouviu gritos de desespero da sua irmã, que tinha ido à cozinha esquentar a janta. 

“MÃEEEEE, O PAI, MÃEEEEE!”, “ARIÉLLLLL, CORRE AQUI!” Você volta a sentir sentimentos familiares, mas nem de longe poderiam ser bons. O pânico nunca é bom. Não tem como se preparar para algo assim. Você não tem tempo para pensar, então puxa o seu roupão do armário e, sem nada por baixo, corre. Você desce degrau por degrau, tentando não tropeçar nos seus próprios pés, tentando não criar mais caos, mas a sua mente não te ajuda. Um turbilhão de pensamentos ruins passam pela sua cabeça. O medo é instalado naquele lugar. Você sabe que nunca mais será o mesmo depois de ver a morte passar na sua frente.

Você tenta manter a calma, mas não consegue. Como poderia, em um momento como aquele? Você pensa: “Não! De novo, não! Eu não vou deixar! Não pode ser agora! Ainda há tanta coisa para acontecer, e eu quero que ele esteja presente comemorando comigo!” Mas é como diz aquele velho ditado popular: “querer não é poder…”.

Você não sabe de onde tirar forças, mas se joga em cima do seu amor que está paralisado no sofá da sala, completamente roxo. Você podia sentir o calor desaparecendo dele, o frio estava tomando conta do local. Você tenta transferir o seu amor e todas as suas energias tentando reanimá-lo, mas não consegue. Você queria entregar o seu coração para ele.

Sua mãe, que tinha acabado de voltar de uma cirurgia de risco, desce as escadas apressadamente com suas muletas e, quando se dá conta do que estava acontecendo, ela grita: “ARIÉLL, VAI CHAMAR A TIA! AGORA! VAI!”

Sem parar para pensar, você sai correndo, como se a sua vida dependesse daquilo. Naquele instante, ela realmente dependia. Era noite, o portão estava trancado, o tempo não estava correndo a nosso favor. Eu não podia voltar para pegar as chaves, arriscar que ficasse tarde demais para salvá-lo, então pulei o muro de casa (desde pequeno eu sempre fiz isso, era algo natural, mas não naquele dia, não naquela hora). Eu estava descalço e, quando aterrissei na brita, os meus pés latejavam de dor, mas na hora eu não senti. Eu estava anestesiado por outra dor mais forte que aquela: a dor do medo.

Eu voltei a correr, e corri mais rápido do que nunca, até chegar na casa da minha tia. Eu bati, bati e bati de novo. Até que ela apareceu na janela, assustada. Eu não conseguia ouvir a minha própria voz, mas ela conseguiu entender o caos que habitava dentro de mim. Ela disse: “Nós já estamos indo, querido!” Preocupado, você volta a correr, o seu coração não queria se acalmar e a sua respiração começa a pesar.

Você pula o muro mais uma vez. É quando você finalmente se dá conta da dor em seus pés, mas aquela dor era o menor dos seus problemas naquele momento… sua irmã está tentando contatar a ambulância, sua mãe está em cima do seu pai, tentando reanimá-lo. Você sempre soube que ela era dona de uma força indescritível, mas, quando você a viu tentando segurar o amor da vida dela pela ponta dos dedos nesse plano da existência humana, você soube que aquela mulher era a sua heroína, não uma heroína com superpoderes igual nos quadrinhos da Marvel que você lia, mas uma heroína humana.

Finalmente, a sua irmã é atendida. O socorro fala conosco, nos diz o que fazer. É quando a sua tia, o seu tio e outras pessoas que você não recorda de estarem lá chegam. Você e o seu tio, a pedido dos paramédicos que estão do outro lado da ligação, colocam o seu pai deitado no chão.

É você quem sobe em cima dele para fazer a massagem cardíaca. Depois de três minutos, que pareceram ter durado uma eternidade, você já não consegue mais sentir os seus braços. Você não tem mais forças. Você entra em desespero, porque sabe que muito em breve não será capaz de continuar massageando o peito do seu pai. A dor, as lágrimas, o suor, tudo vira uma coisa só… Você estava cansado, exausto. A cada segundo que passava eu sabia que estava perdendo meu pai, mas não podia parar para descansar meus braços. Mais uma vez, você morre por dentro e implora por socorro. Até que uma mulher chega, uma amiga da família. Tenho quase certeza de que ela era um anjo. Ela assumiu o meu lugar até a ambulância chegar.

Eu podia jurar que se passaram séculos até os paramédicos chegarem. Foram minutos longos e muito dolorosos, gritos atrás de gritos, desespero e mais desespero. O caos se estabeleceu mais uma vez.

O socorro finalmente chegou! Eu sei que eles fizeram tudo o que podiam. Mas, quando o relógio marcou 23h58min, ouvi o grito de agonia da minha mãe, do meu amor: “NÃOOOOO, NÃOOOOO, ISSO NÃO PODE ESTAR ACONTECENDO DE NOVO COM A GENTE, NÃOOOOO. COMO A GENTE VAI CONSEGUIR TOCAR A VIDA SEM VOCÊ, MEU AMOR, COMO?”. O som dos gritos dela ecoou pela casa, mas o silêncio em mim foi ensurdecedor. Quando ouvi a voz da minha mãe, tudo parou. O tempo, o mundo, a esperança, tudo acabou naquele minuto. Meu mundo encolheu até caber em uma única palavra: adeus…

Eu nunca quis dizer “adeus”, porque, para mim, sempre que essa palavra é pronunciada em voz alta, significa uma única coisa: que é “para sempre”. Eu entendi o que tinha acontecido, mas não consegui acreditar. Eu não queria. Foi aí que eu percebi que todas aquelas merdas que nos aconteceram há dois anos atrás iriam voltar, só que dessa vez com mais intensidade! O destino me mostrou, mais uma vez, que nada é eterno, infinito e para sempre. Nem mesmo o amor ou a esperança.

Eu tinha entendido o porquê de as estrelas não terem aparecido naquela noite. Elas nos abandonaram, mais uma vez, como se soubessem que minha fé também havia sido perdida… Sem elas, o céu é vazio, solitário, triste; assim como o meu coração sem vocês.

Nós éramos cinco. Hoje, somos apenas três: eu, minha mãe e minha irmã. O vazio se instalou em nossa casa e, mais uma vez, se apossou dos nossos corações. Alguém me disse que, com o tempo, esse número iria aumentar, que minha esperança ainda reencontraria o seu caminho. Essas palavras, embora tentassem me dar forças, me fizeram questionar: a esperança não deveria ser a última a morrer? E, se fosse, por que parecia ter se dissipado tão cedo, deixando o vazio como o meu único companheiro fiel?

Ainda me vejo perdido, tentando entender se sou capaz de deixar minha esperança renascer, ou se, ao fazer isso, estaria apenas me preparando para mais uma decepção. A dor parecia tão grande, tão imensa, que a ideia de cogitar reacender essa chama parecia impossível. Mas, mesmo assim, algo dentro de mim se recusa a deixar de acreditar. Uma fagulha, frágil e teimosa, ainda persiste, lutando para não se apagar dentro do meu espírito.

Quando voltei a escrever, vocês dois foram as primeiras pessoas para quem eu desejei contar. Então, pego o meu celular e começo a discar o seu número… Durante aquela fração de tempo em que olho para a tela do meu celular e leio ‘chamando’, eu me permiti sentir esperança mais uma vez, a última vez! Por um instante, me permiti esquecer que vocês haviam partido. Não consegui conter as lágrimas quando a secretária eletrônica me atendeu no seu lugar, pai. Me doeu tanto não ouvir sua voz dizendo com aquele tom inconfundível: “Alô? Aqui quem fala é o Roberto Carlos!”.

Se nem mesmo o amor é para sempre, por que as cicatrizes insistem em ser? Por que elas não querem cicatrizar? Por que elas continuam queimando na minha pele? Não quero acordar todos os dias com esses lembretes gravados em meu corpo, memórias indesejadas de todas as batalhas que enfrentei na vida. Mas, no meio da escuridão, percebi algo: talvez elas existam para me lembrar que sobrevivi a essas guerras, para me ensinar com os erros que cometi e me permitir evoluir. Para lembrar das perdas que tive no caminho até aqui. E talvez, só talvez, eu realmente precise dessas cicatrizes. 

Elas são mapas do meu amor, da minha dor, da minha esperança e resistência. São provas de que o amor e a perda podem, de fato, coexistir. Não tenho vergonha de mostrar minhas cicatrizes; elas podem ser belas, de um jeito amargo, como medalhas de batalhas que jamais desejei lutar. Mas elas são parte de mim, e sempre serão. De certa forma, sempre foram. Pois são as mesmas marcas que a minha família carrega há gerações: estrelas indomáveis, que jamais deixam de brilhar, mesmo na escuridão…

Confesso que a minha ficha ainda está longe de cair. Mas, aos poucos, encontrei vestígios deles em mim. Quando me olho no espelho, vejo a força vital deles pulsando em meus olhos. Eles vivem nas minhas ações, nas minhas memórias, nos meus sonhos, nas palavras que escrevo, nas minhas batalhas, nos meus amores, nas minhas orações e na melodia do meu coração. Isso não é aceitação; é transformação. É algo necessário para crescer. Posso estar longe de superar tudo o que aconteceu comigo, mas prometo que vou encontrar inspiração para continuar lutando: não só por mim, mas pela minha mãe, pela maninha, pelo vovô e por todas as pessoas que amo. Mas, principalmente, pelo Ariéll do passado que sonhava e pelo Ariéll do futuro que irá realizar cada um daqueles sonhos. Quero viver e não sobreviver. 

E, enquanto descubro quem é o meu novo eu, no presente, prometo que vou lutar para realizar cada um dos sonhos da nossa família. Lutar para, quem sabe, um dia encontrar um amor igual ao dos livros de comédia romântica que sou fissurado em ler. Lutar pelo que é real. Lutar para encontrar a minha esperança de novo. Lutar para manter os ensinamentos e o legado de vocês vivos. Lutar para encher vocês de orgulho.

Eu posso não saber ainda como lidar com a minha dor. Cada passo, cada degrau, cada estágio do luto, pode parecer mais difícil que o anterior. O vazio pode sim ter tomado conta de mim, uma escuridão que não quer se dissipar, como se estivesse viciada em se alimentar das minhas emoções e orações. Eu ainda estou tentando entender tudo, tentando encontrar uma razão para o que havia acontecido, mas o quanto mais pensava, mais eu me perdia…

Os filhos não deveriam ter que enterrar seus pais e avós. Assim como os pais não deveriam ter que enterrar seus filhos. A guerra da vida, com sua crueldade implacável, nos leva a enfrentar essas perdas, nos arrancando os que mais amamos. Os pais, esses pilares de nossas existências, nossos conselheiros particulares, deveriam ser eternos. Mas, de certa forma, eles vivem nas estrelas, em cada raio de luz que nos guiam nos momentos mais sombrios. Estou tendo que me reinventar, crescer e encontrar maneiras sutis, mas poderosas, da presença deles aqui, como se o laço que nos une transcendesse o próprio tempo. Mas a vida não tem piedade. Ela segue, com ou sem a nossa permissão, e de alguma forma, é necessário encontrar forças dentro de nós para continuar. Não só por mim, mas por todos aqueles que amo.

O destino pode ter tentado me enganar durante esses últimos anos, pode ter me feito acreditar que o amor é insuficiente diante da dor, que ele não é eterno, infinito e para sempre, mas o amor que vocês deixaram para mim não morreu, porque o amor verdadeiro não sabe morrer, ele tornou-se a âncora que me segurei enquanto navegava por essa dor imensa… O amor é o único sentimento que sobrevive ao tempo e a distância. O amor que carrego é meu para sempre.

Mesmo quando os dias parecem pesados e sem cor, algo dentro de mim insiste em me puxar para a luz. Sigo trilhando meu caminho porque sei que a memória dos que partiram é uma força que me impulsiona a continuar. Eles nunca me deixaram de verdade. E sigo firme porque sei que você e o papai não largam minha mão nem por um segundo. Não os sinto fisicamente, mas sei que seus espíritos me acompanham e guiam todos os dias. Continuo cantando a ‘Nossa Canção’, vozinha, aquela música do filme “Barbie e o Castelo de Diamante” que eu cantava para você, sempre que sinto saudade de fazer do seu colo o meu lar. Anexo a letra da música a seguir, caro leitor:

“É raro achar amiga assim
Você está sempre lá, torcendo por mim
Nós temos tanto pra falar
Você faz tudo melhorar

Minhas piadas, as palhaçadas
Te fazem gargalhar

Tudo que eu quero pedir
É o que te faça sorrir
É que cultivemos pra sempre essa união (essa união)
Sigamos sonhando assim
Eu cantarei por você e você por mim (ouou)
A nossa canção (2x)

Lá lá lá lá lá lá
Lá lá lá lá lá lá

Esteja onde estiver
Por perto eu vou estar
E se chamar por mim
Vou sempre te escutar”

Eu cantava isso para minha avó quando ela estava acamada e, sempre ao final, eu dizia: “Eu te amo, vozinha!” Ela respondia: “Ah, seu gostoso, a vozinha te estima muito, muito.”

Em muitas noites, eu vi o meu pai novamente, não mais em carne e osso, mas nas nuvens, em meus sonhos, na brisa do vento que tocava o meu rosto. Ele estava lá, me acalmando como só ele sabia fazer, dizendo palavras que me faziam sentir que ele nunca se foi de verdade. E em um desses sonhos, ele apareceu como Mufasa, com a mesma tranquilidade e sabedoria que sempre teve, dizendo: “Você se esqueceu de mim, meu filho, mas não se esqueça de quem você é. Olhe para dentro, você é muito mais do que pensa que é. Você tem que ocupar seu lugar no ciclo da vida. Eu sei que parece difícil, mas você vai conseguir. Lembre-se de quem você é. Você é meu filho, e sempre será o verdadeiro rei de sua vida, o único capaz de fazer as escolhas que moldam a sua história.”

Eu olhei para ele, com lágrimas nos olhos, confuso, tentando entender como poderia ser possível viver sem a presença dele e da minha vozinha ao meu lado. “Como posso voltar? Eu não sou mais quem eu fui!”, perguntei com meu coração pesado de saudade. E ele, com um sorriso acolhedor, respondeu: “Você não precisa voltar, maninho. Você só precisa continuar. Cuidem uns dos outros, como sempre fizemos, e lembrem-se de que estou bem. Sempre estarei com vocês, vivendo nos corações de cada um.”

Um dia desses, enquanto organizava meus livros na estante do meu quarto, me deparei com um livro sobre o universo que ganhei quando era mais novo. Curioso, o abri e comecei a ler sobre um tema que me fez chorar de alegria, trazendo à tona uma lembrança especial ao lado do meu pai: as estrelas que morreram há muito tempo podem continuar a brilhar por milhões ou mesmo bilhões de anos. A luz que vemos no céu noturno está a anos-luz de distância até chegar à Terra, o que significa que, ao olhar para o céu, estamos contemplando o passado. Isso me lembrou do dia em que meu pai me ensinou a ligar para a Celesc, onde ele trabalhava, para informar que faltou luz no nosso bairro e solicitar que resolvessem o problema. Naquele momento, ele me mostrou que, mesmo nos lugares mais escuros, sempre é possível encontrar uma luz de esperança, como as estrelas que brilham muito além do seu fim, iluminando nosso caminho para solucionar o que parece ser impossível.

“Lembre de mim
Hoje eu tenho que partir
Lembre de mim
Se esforce pra sorrir

Não importa a distância
Nunca vou te esquecer
Cantando a nossa música
O amor só vai crescer

Lembre de mim
Mesmo se o tempo passar
Lembre de mim
Se um violão você escutar

Ele, com seu triste canto
Te acompanhará
E até que eu possa te abraçar
Lembre de mim”
– Viva, a vida é uma festa.

O “para sempre” não é um conto de fadas. Ele é a força invisível, o alicerce que nos impulsiona a levantar da cama todas as manhãs, a olhar para o espelho e sorrir, com o queixo erguido, ao sair pela porta de casa. Sou quem sou por causa deles, e enquanto eu respirar, eles viverão também, em minhas histórias. Espero que, algum dia, eu tenha a chance de voltar a vê-los outra vez. E, enquanto esse dia não chega, farei deles a minha eternidade, a minha parcela mágica do “para sempre”.

O que, além das cicatrizes, é realmente eterno? Só existe uma resposta para essa pergunta: o meu amor por vocês, vovó e papai. Ele é infinito e imortal. Eu os amo através de todas as dimensões do vasto espaço-tempo, além do que as palavras são capazes de expressar, além das fronteiras da imaginação humana. Eu vou escrever os nomes da nossa família nas estrelas.

“Como sou sortudo em ter algo que faça com que dizer adeus seja tão difícil.” – Ursinho Pooh.

Para todo o sempre, seu “iel”.


Fotos do meu arquivo pessoal:

Florianópolis, 25/03/2023 – Este ensaio poético foi produzido em homenagem à memória da minha vozinha e do meu pai, o meu eterno “Veguinho”. Modificado e publicado no site ariellcristovao.com em: 04/01/2025.

Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras.”

Cada palavra e ideia aqui compartilhada são frutos de minha autoria e dedicação. O plágio é crime, conforme previsto no artigo 5º, inciso XXVII, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, na Lei 9.610/98, e pode resultar em sanções legais. Respeitar o trabalho alheio é essencial para a construção de um ambiente de aprendizagem, criatividade e respeito mútuo.

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