Prosa poética: Eu não escolhi te amar, mas eu te amei por 10.001 vezes

Imagem: Gerada por inteligência artificial (IA) usando ChatGPT para esta prosa.

10.000 pensamentos escorrem por todo o meu ser, formando cascatas de emoções incontroláveis e combustivas que ecoam nos abismos mais profundos da minha alma. Cada gota d’água é um suspiro ensurdecedor em meio às lembranças dos abraços de urso esmagadores que você me deu no meu décimo sexto aniversário, impossíveis de apagar da memória. Esse foi o melhor presente que eu poderia ter recebido, sonhei com ele desde que te conheci. Não sei como, mas, quando estou perto de você, essas cascatas de emoções tão complexas que irradiam de dentro de mim, com sua força avassaladora difíceis de decifrar, destroem o equilíbrio da natureza e partem o meu coração ao meio.

10.000 vezes pensei em você. Agora, 10.001, um número ímpar, como o desequilíbrio nas pernas que sinto sem você. 10.001 vezes, nossos pensamentos colidiram como águas que nunca poderiam se unir. Essas cascatas tão violentas abriram fendas na terra, capazes de partir casas ao meio e de separar continentes. Entre nós, nasceu um riacho impossível de atravessar, onde a correnteza arrasta meus desejos para longe, deixando-me preso à margem, observando você petrificado do outro lado.

Um dia, há muito tempo, brincamos de convidar a lua para ser a madrinha do nosso casamento. A lua viu de perto o desespero que se instalou entre nós… Ela estava em sua fase cheia, mas partiu-se ao meio, em solidariedade à dor de dois corações que nunca poderão se tocar novamente, que nunca mais poderão dançar juntos sob o amanhecer ou o entardecer do dia. As estrelas, que seriam nossas testemunhas, choram em um silêncio eterno; sua luz reflete nas águas inquietas como fragmentos de nossos sonhos despedaçados.

Por 10.001 vezes, desejei que esse riacho evaporasse, que as cascatas se acalmassem, e que a ponte entre nós fosse construída pelas mãos do destino. Mas, por outras 10.001 vezes, vi a distância entre nós crescer, como se o universo conspirasse para nos manter afastados. E mesmo assim, em meio à solidão, eu te amei. Eu te amei tanto que as águas do riacho se derramaram com as lágrimas do meu coração, que por você sempre será inundado.

10.001 vezes me senti sufocado pelos meus próprios pensamentos. Neguei os meus sentimentos por você tantas vezes que perdi a conta, mas ainda assim, em todas elas, desejei entrelaçar meus braços em volta do seu pescoço e te beijar com tamanha intensidade, que você veria o quanto eu desejo que o tempo e o mundo parem só para nós dois.

Por 10.001 vezes, escrevi seu nome no meu diário sem parar, como se cada letra fosse uma tentativa desesperada de te trazer para mais perto, de te gravar na eternidade do papel que guarda os segredos mais profundos do meu coração. Nunca imaginei que o meu primeiro amor fosse me dar tanta dor de cabeça a ponto de transformar cada um dos meus pensamentos em um labirinto sem saída, por 10.001 vezes.

Em todas essas 10.001 vezes, sonhei que você me desejava com a mesma urgência que sinto em meu peito, mas também desejei te sufocar do mesmo modo que você me sufocou e ainda sufoca meu coração.

O destino me pergunta se o amor é uma conta de matemática. Eu respondo que não; os números jamais seriam capazes de calcular o quanto eu te amo. Mas por que, então, minha cabeça insiste em contar todas as vezes que me pego suspirando por ti?

Nosso amor, apesar de ser impossível, nunca irá me impedir de somar todos os momentos que me encantei com o seu sorriso ou em que os nossos olhares se encontram em meio ao caos. Aos olhos do mundo, “nós” dois somos invisíveis, assim como inimagináveis outros “nós” que nunca poderão existir. Mas isso não importa, porque o que eu realmente quero é que você me enxergue, da mesma maneira que eu te enxerguei por 10.001 vezes.

“Nós”. Quem ou o que somos “nós”?

Durante 10.001 vezes eu me perguntei se, em algum futuro distante ou em algum universo paralelo, “nós” poderíamos ser mais que uma pergunta sem resposta. E se o “nós” não existe e nunca vai existir, por que então por 10.001 vezes eu pensei em você? Por que eu me importo tanto com você, mesmo sabendo que você não hesitou em estilhaçar meu coração em 10.001 pedaços? Odeio admitir que, mesmo estando quebrado, cada um dos pedaços do meu coração, mente, corpo e alma ainda te amam. E, de certa forma, mesmo que eu não queira, você sempre encontrará refúgio no meu amor…

Nosso amor, que deveria ser algo doce, uma espécie de porto-seguro, inúmeras vezes me cortou como uma lâmina que acabara de ser afiada. Por 10.001 vezes, eu te odiei e te amei. Mesmo que “nós” nunca deixemos de ser nada além de grandes amigos. Mesmo que eu não tenha escolhido te amar. Sei que eu teria nos escolhido por 10.001 vezes e muito mais, porque, mesmo em meio a todo esse caos que criamos, você sempre foi o único pensamento que eu nunca quis esquecer, mas sim lembrar antes de dormir e ao acordar infinitas 10.001 vezes. E, por mais 10.001 vezes, terei que me contentar em apenas sonhar com o seu toque contra o meu. Mas, por favor, nunca se esqueça disso: eu te amo tanto que 10.001 vezes ainda seria pouco para descrever o tamanho dos meus sentimentos por você. Quero te fazer sorrir por 10.001 vezes e além; quero que cada um desses momentos se torne uma razão a mais para que nossos corações pulsem em sintonia.

Eu não escolhi te amar, mas eu te amei por 10.001 vezes! O amor em muitos casos como o nosso, não surge por escolha, mas o amor também é feito de escolhas. Todos os dias, ao despertar dos meus sonhos, eu escolhia continuar te amando. Cada dia, era uma nova chance de reafirmar esse laço invisível que, apesar das dores em meu coração, nunca se partiu de uma decisão, me entreguei 10.001%, e eu fiz isso sem hesitar nem por um instante, porque o amor, quando verdadeiro, não precisa de permissão para florescer. Ele simplesmente nasce, cresce, se expande.

10.001 vezes pensei em você, pensei em “nós”. E amanhã? Amanhã será 10.002? Ou talvez amanhã eu conte os números de trás para frente, na esperança de apagar a dor que nos aprisiona e te libertar das infinitas contas do meu coração…


Florianópolis, 24/02/2022 – Este texto poético foi produzido para o meu blog, no antigo Twitter, hoje X: Cartas de El (atualmente desativado). Modificado e publicado no site ariellcristovao.com em: 02/01/2025.

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