Carta: Grite por mim. Eu estou gritando por você!

O que fazer para saber se estamos acordados ou dormindo? Nunca quis saber a resposta para essa pergunta. Talvez seja justamente por isso que ela tenha vindo até mim, mais rápido que a velocidade da luz.
“Você vai quebrar a cara”, eles dizem.
“E se eu não quebrar?”, respondo.
Cansei de dar ouvidos aos meus demônios. Cansei de quebrar a cara. Por que eu tinha que testar a teoria do beliscão? Eu tinha certeza de que dessa vez nós não éramos um sonho… quanta decepção.
Por que, destino? Por que você tinha que estilhaçar a minha esperança mais uma vez? Por que sempre acabamos sendo reduzidos a cinzas? Torço para que, como a fênix, o nosso amor renasça das cinzas, para que finalmente possamos voar juntos.
“Acorde! Você está chorando?” Por que sempre sou acordado dos meus sonhos? Quero acordar desse pesadelo para voltar a viver contigo. Você prometeu que me apresentaria ao seu mundo, e eu prometi que te mostraria o meu. Mas o tempo é muito curto, isso, quando eu consigo dormir. E, quando acordo, aqui estou eu: sozinho, de novo. Sem você. E você? Você também está sozinho, mas parece não se importar. Você sabe que eu existo? Cada segundo perto ou longe de você é agonizante.
Quando acordo desse pesadelo, eu grito o seu nome. Chamo por você. Desejo você. Desejo o nosso amor. E, desta vez, não dói tanto, porque sei que, de alguma forma você também me deseja. Mas ainda assim dói, porque sei que você só me deseja, porque eu quero que me deseje. Só vai parar de doer quando você realmente me quiser. Talvez seja amanhã. Talvez nunca. Só vou saber se eu tomar uma atitude, mas toda vez que surge uma oportunidade e a brecha perfeita está diante de mim, eu surto e a jogo no lixo.
Não quero mais sonhar com você e acordar sozinho. Odeio ser acordado, porque tenho que me despedir de você. Mas, pera aí: quando foi que eu tive a chance de me despedir de alguém? Odeio dizer adeus. Não quero dizer adeus. Nunca odiei tanto uma palavra quanto essa. Quero gritar o seu nome. Quero gritar EU TE AMO!
Tenho medo de acordar um dia e nunca mais conseguir sonhar com você. Tenho medo de você virar um monstro nos meus pesadelos e, ao invés de me fazer gritar de amor, tenho receio que você me faça gritar de medo, me obrigando a fugir, a escapar para a minha realidade que tanto odeio. Tenho medo de que os nossos sonhos me traumatizem, a ponto de me fazerem nunca mais ter vontade de dormir ou de sonhar outra vez com ou sem você.
Amar você é como estar aprisionado pela eternidade em uma linha tênue entre sonhos e realidade, onde cada um dos meus passos oscilam entre a êxtase e o abismo do esquecimento, onde nem mesmo gritos e beliscões podem me salvar dos monstros em meus pesadelos.
Não consigo te tirar da minha cabeça… talvez eu não queira. Os meus sonhos estão me enlouquecendo, neles você está sempre lá para me tranquilizar, agindo como um farol em meio a tempestade; na realidade, você é ausência nos cômodos da casa que planejamos construir juntos. É uma sombra que nunca consigo alcançar, por mais que eu tente. Mas, eu quero saber, me diga, por favor: ONDE ESTÁ VOCÊ NA VIDA REAL QUANDO EU MAIS PRECISO DE VOCÊ? Não ter você do meu lado para te abraçar sempre que acordo de um pesadelo, é como se toda a alegria do mundo fosse sugada por um dementador. Quero te encontrar, quero te beijar, quero gritar o seu nome. Tenho sussurrado o seu nome por mais tempo que eu gostaria de admitir. Grite por mim, e eu saberei onde te encontrar. Então poderemos gritar juntos pela eternidade.
Perdi a conta de quantas madrugadas passei em claro te desejando, nos desejando. Você consegue me ouvir? Você consegue ouvir todas as vezes que grito por ti? Consegue ouvir o pulsar do meu coração acelerando todas as vezes em que nos vemos? Sei que ainda vou gritar o seu nome infinitas vezes. Mas, espero que algum dia você seja capaz de escutar os gritos eternos da minha alma.
Eu amo gritar o seu nome, amo como ele soa entre os meus lábios. Estou gritando agora. Você pode me ouvir? Me dói saber que não. Me dói ver você todos os dias e não poder te tocar. Me dói ter que evitar olhar para você. Não posso me perder dentro da minha cabeça, porque sempre volto a pensar em você. Onde estão os meus pensamentos agora? Matutando ideias para a próxima frase que vou escrever para você e que nunca saíram do papel para serem pronunciadas em voz alta…
Me dói não te ouvir. Me dói não conseguir te dar um simples oi.
Anseio, desejo, conto os meses, os dias, as horas, os minutos, os segundos… só para te ouvir gritar o meu nome. Talvez, em outra vida, nós não sejamos um “talvez”, mas uma realidade.
Realidade. É a segunda palavra que eu mais odeio. Poderia fazer uma lista com todas as palavras que odeio, mas isso não nos tornaria mais reais, tornaria?
Sonho ou realidade? Desde o instante em que te conheci, essa é a pergunta que tenho feito a mim mesmo repetidas vezes.
Destino, me permita ser alguém para ele. Me permita ser o amor dele. Não quero ser lembrado por você como uma pessoa comum. Não quero lembrar de você como um sonho inalcançável. Destino, me ajude a gritar por ele em voz alta. Por favor, nos ajude. Não reduza mais outro amor ao pó cósmico. Ele não é só “outro”. Nunca foi e nunca será. Eu o amo como jamais amei alguém na vida. É com ele que quero dividir a escova de dentes. É com ele que quero viver todos os clichês possíveis de se imaginar.
O amor não vem a nós por escolha própria, e você definitivamente não foi uma. Eu não nos escolhi. Você não nos escolheu. Foi o destino que ousou nos encaixar no quebra-cabeça da vida, portanto, eu tenho o direito de perguntar: se nós dois seríamos tão perfeitos juntos, por que ainda não estamos juntos? Muitas pessoas me dizem para eu desistir, que talvez o próprio destino tenha desistido de nós. Mas, dentro de mim, ainda há uma fagulha de esperança. A mesma fagulha que senti quando nos vimos pela primeira vez. Ela me diz para não desistir. Se o destino nos escolheu, eu te escolho. Nos escolho. Depois de tanto tempo, ainda te amo.
Sinto tanto a sua falta. Sinto falta da noite. Sinto falta de dormir ao seu lado. Sinto falta de dividir sonhos com você. Sinto falta de alguém que não existe. Tudo o que sinto é um vazio constante que me corrói de dentro para fora. Algum dia será que irei dormir com saudades do dia, contando cada milésimo do tempo para te ver de novo? Para acariciar a tua face, para sentir o teu cheiro. Não sei por que ainda me torturo perguntando se você sente o mesmo por mim!?
Quero te beijar loucamente até sermos dois velhinhos rabugentos. Quero gritar para o mundo que estamos juntos, mas isso não passa de mais um sonho, não é mesmo?
Desejo. A terceira palavra que mais odeio. Odeio te desejar e, mesmo assim, não passamos de um sonho distante. Odeio não poder gritar para o mundo que te amo. Tudo o que eu sempre quis foi poder gritar por você e com você. Grite por mim, antes que eu não possa mais te ouvir. Quero saber como o meu nome soaria na sua voz.
“AA AA AAA, AAAAAAAAA AAAAAAA, AA, AAAAAA AAAAAAAAA AA AAAAA. AAAAAA A AAA AAAAAAA AAAAAAAA AAA AAAAA, AAA AAAAA. AAAAAAA A AAAAAAA AA AAAAAA AA AAA AAAAAAA. AAAAAA A AAAAA AAAA AAAAAAAA. AAAA AAA AAAA AAAAAA. AAAAA AAAAAAAA AAAAAA A AAAAA AAAAAAAA AAA AAAAAAAA, AA AAAAA AAAA, AAAAA AAAAAAAAA A AAAAA AAAAAAAAA.” – Tradução: “Eu te amo, …, …, … Escute o meu coração gritando por “nós”, por favor. Aprenda a escutar os gritos do seu coração. Escute o nosso amor gritando. Saia dos meus sonhos. Venha escrever comigo a nossa história nas estrelas, no mundo real, venha construir a nossa eternidade.”
A parte do meu grito que está em branco nunca poderá ser traduzida, porque ela está perdida para sempre. Esqueci o seu significado, assim como as pessoas esquecem de seus sonhos. Por isso, sempre que acordo, anoto tudo o que sonhei em meu diário. Mas aquela parte da página que continha o grito da minha alma, onde estava o nosso “nós”, se queimou quando renasci como uma fênix sem você ao meu lado. Agora, ela se perdeu para sempre, como um fragmento da nossa história e do nosso amor que nunca será escrito nas estrelas. Eu não entendo a língua dos sonhos, e é por isso que não consigo traduzir o que gritei vivendo neles. As palavras que gritei em meus sonhos permaneceram indecifráveis para sempre, um enigma que jamais será resolvido, como se o meu próprio sonho se recusasse a ser compreendido.
Me esforço para não esquecer que a dor é quem me guia, mas cada passo que dou é um passo para o abismo sem fim, onde sou refém de minhas próprias emoções. Quero ser real para você, quero ouvir você gritar a nossa canção, sentir que, de algum jeito, o destino não nos tortura mais com as nossas promessas não cumpridas. Grite por mim, me ouça gritar no escuro da minha solidão, trancado a sete chaves no porão do meu coração, onde tudo o que tenho são lembranças cobertas por lágrimas no papel.
O que aconteceu com todos os nossos planos, com as nossas vidas? Se eu pudesse abrir voo até onde você está, talvez eu encontrasse uma resposta, mas estou gritando tão alto por você, por “nós”, que o mundo inteiro agora conhece o que sinto por você, menos você, que era quem mais deveria ouvir esse grito eterno, gravado nas minhas palavras de amor e desespero, vindas dos confins mais secretos da minha alma. Grite por mim, até que o silêncio grite a nossa canção.
Destino, nos dê a chance de viver o nosso amor. Não mais nos meus sonhos, mas na realidade. Quero ser real para ele e quero que ele seja real para mim. Estou gritando por você nas sombras. Grite por mim, para que possamos gritar juntos sob a luz das estrelas.
Mesmo que eu não tenha mais voz, o meu coração ainda gritará por ti, por nós, sempre, pois amar você é a única certeza que possuo no momento. Agora, são 4 horas da madrugada. Grite por mim. Eu estou gritando por você! Mas, cadê você para gritar por mim? Se o silêncio te sufocar, lembre-se: eu ainda estarei gritando por você, porque o grito é minha única maneira de te alcançar, mesmo quando as palavras falham. Então, grite por mim. Eu vou gritar por você, por nós, até o fim.
Encerro essa carta com o mais profundo grito de desejo do meu coração: se algum dia você achar que será capaz de amar um garoto, grite por mim, eu ficarei feliz em ser esse garoto.
Florianópolis, 12/07/2022 – Essa carta poética foi produzida para o meu blog, no antigo Twitter, hoje X: Cartas de El (atualmente desativado). Modificado e publicado no site ariellcristovao.com em: 02/01/2025.
“Aos autores pertence o direito exclusivo de utilização, publicação ou reprodução de suas obras.”
Cada palavra e ideia aqui compartilhada são frutos de minha autoria e dedicação. O plágio é crime, conforme previsto no artigo 5º, inciso XXVII, da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, na Lei 9.610/98, e pode resultar em sanções legais. Respeitar o trabalho alheio é essencial para a construção de um ambiente de aprendizagem, criatividade e respeito mútuo.

Deixe um comentário